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31.3.06

E quando, de repente, a vontade de mudar e o cansaço se transformam em dor no peito, vontade de chorar e dificuldade em respirar?

Isto está a passar para o plano físico. Assusta-me. Confesso que me assusta que a ansiedade esteja a tomar conta da minha mente e, agora, do meu corpo.

Sei que com isto não se brinca e que estas coisas podem ter sequelas, às vezes nunca mais se curam. É por isso que a decisão já está mais do que tomada. Agora, o medo é não conseguir. É ter que esperar. É não saber quanto tempo vai demorar. É recear cair para o lado antes de obter alguma coisa. Detestava sair na mó de baixo. Tenho que me aguentar.

29.3.06

Do céu 

Não posso estar à espera que a mudança caia do céu aos trambolhões, pois não?

27.3.06

Não tenho tempo para um, quanto mais para dois*. Que se lixe, preciso de desabafar e há coisas que não cabem lá no outro sítio. E parece que ainda há vida para além dos filhos.

É oficial. Está reaberta a chafarica.

*neste caso estou a falar de blogs...

Porra. Em 8 anos de trabalho nunca senti aquilo. Nunca senti que amava o que fazia. Nunca fui para o trabalho com uma sensação de frenesim, uma excitação de quem vai passar o dia a fazer aquilo que mais adora, nunca tive a sensação de que trocava um feriado passado a dormir por um dia de trabalho. Nunca.

Tudo isto a propósito de...
Sábado à noite queixava-me a uma das minhas melhores amigas que estava farta e que tinha um drama. Farta da minha situação profissional. Com a sensação que queria mudar, mas de pés e mãos atadas para o fazer. Porque para mudar perdia o comodismo, perdia as regalias que tenho. Porque tenho medo de me arrepender, não quero chegar a casa tardíssimo e não poder acompanhar os meus filhos, não quero ter que passar a vida a ter que arranjar quem os vá buscar, quem fique com eles, não quero que andem em bolandas de uma avó para outra, e de uma tia para uma bisavó. E isto porque o pai tem uma profissão sem horários e nunca posso contar com ele para ir buscar ou mesmo levar os filhos ao colégio. Porque aprendi a virar-me sozinha e a só contar comigo no que toca a eles. Sempre que está ele é um pai a tempo inteiro, mas nem sempre está. Tem horários malucos, tem viagens frequentes, não tem horas nem horários certos para nada.
Por outro lado se não mudar sinto que vou morrer aqui, de pasmo, sem evolução, que a minha vida profissional vai ser vazia, chata desinteressante, ganho uma porcaria e nem me chateio assim tão pouco como isso. Apesar de tudo e no geral tenho uma vida santa, mas os momentos de stress não compensam o pouco gozo que me dá. Quero mudar, estou farta disto, farta, farta, farta, farta....
Eis se não quando ela me diz uma coisa que não mais me saiu da cabeça:
- Céus...se me acontecesse isso eu acho que morria. Todos os dias saio de casa para trabalhar com um frenesim, como se fosse o primeiro dia. Adoro aquilo que faço.

Céus digo eu. Que baque que me deu no coração. Isso existe? Pode-se sentir essa merda?

O mais perto que tive dessa sensação foi num estágio de três meses que fiz em televisão, no fim do curso. Aí sim, sentia-me feliz. Chorei quando terminou, com pena de não voltar. E...isto dá-me que pensar. É só a maior parte do tempo da minha vida que passo acordada. É importante, merda.

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