27.4.05
Saído da casca
O pai, em tom aborrecido por algum disparate que ele insistia em repetir:
- H., já te disse que não gosto de te ver a fazer isso. Pára.
- Não olhes...
No carro, a testar os seus conhecimentos musicais (conhece muitas coisas...), perguntei-lhe:
- Quem é esta que está a cantar?
- Sei lá o nome...
Insisti (enquanto disfarçava a vontade de rir pela resposta atrevida e na ponta da língua)
- É a Nora...
- ...Joneses.
Então H, como foi o dia na escola?
- Muito bom Não bati em ninguém, não mordi em ninguém...
(Céus...)
- H., já te disse que não gosto de te ver a fazer isso. Pára.
- Não olhes...
No carro, a testar os seus conhecimentos musicais (conhece muitas coisas...), perguntei-lhe:
- Quem é esta que está a cantar?
- Sei lá o nome...
Insisti (enquanto disfarçava a vontade de rir pela resposta atrevida e na ponta da língua)
- É a Nora...
- ...Joneses.
Então H, como foi o dia na escola?
- Muito bom Não bati em ninguém, não mordi em ninguém...
(Céus...)
Mamma mia
Ontem à noite a estreia deste musical deixou-me surpreendida pela positiva. Não assisti a muitos até agora, mas este foi de longe o melhor. O fim, então, é mesmo muito engraçado. Valeu a pena dispensar algumas horas do meu precioso soninho.
Claro que lá para a meia hora final comecei a cabecear...mas o espectáculo nem era espectáculo se eu não dormitasse um bocadinho!
Claro que lá para a meia hora final comecei a cabecear...mas o espectáculo nem era espectáculo se eu não dormitasse um bocadinho!
21.4.05
Angústia
Hoje há passeio com a escolinha. Ias entuasiasmadíssimo. Eu fico contente. Mas nunca deixo de ficar com um nó na garganta. Autocarro. 55 crianças entre os 2 e os 4 anos. Imagino o caos...
Crescer às vezes dói. A eles e a nós!
Crescer às vezes dói. A eles e a nós!
18.4.05
Doces três anos
Do fim-de-semana fica a vontade de continuar em casa contigo. Vir trabalhar está a ser um sacrificio tal é a riqueza de partilhas, cumplicidades e brincadeiras que conseguimos agora estabelecer contigo. És uma verdadeira companhia e tens um entendimento fantástico do mundo que te rodeia.
Apetece-me aproveitar mais o tempo contigo. Passo tão pouco tempo a teu lado...
Apetece-me aproveitar mais o tempo contigo. Passo tão pouco tempo a teu lado...
13.4.05
O que vale
É que, depois de uma noite bem dormida, continuo com a certeza de que tudo está bem. Tudo fica bem. Somos parvos em não dar valor ao que temos e perdermo-nos com pormenores insignificantes. É difícil gerir a falta de rotina da nossa vida. Mas o que é isso perante aquilo que construímos para nós?
Gomas
- Mãezinha...
- Toma, é para ti, é bom, come...
Olho. Uma goma vermelha em forma de coração. Vinha em mais um saco de oferta de um aniversariante de palmo e meio. Se não me engano é o quarto este mês. Ele não come absolutamente nada daquilo, por isso tenho um saco cheio de guloseimas na despensa... à espera do fim da diabetes gestacional e do "blues" do pós parto.
- Obrigada, amor. A mãe não pode comer doces, dá ao pai.
- Puquê?
- Porque a doutora disse à mãe que os doces fazem mal à mãe e à mana.
- A mana engasga-se?
- Toma, é para ti, é bom, come...
Olho. Uma goma vermelha em forma de coração. Vinha em mais um saco de oferta de um aniversariante de palmo e meio. Se não me engano é o quarto este mês. Ele não come absolutamente nada daquilo, por isso tenho um saco cheio de guloseimas na despensa... à espera do fim da diabetes gestacional e do "blues" do pós parto.
- Obrigada, amor. A mãe não pode comer doces, dá ao pai.
- Puquê?
- Porque a doutora disse à mãe que os doces fazem mal à mãe e à mana.
- A mana engasga-se?
12.4.05
Três anos
Não sei se foi magia no apagar das velas, ou a importância de ter três anos, ou a alegria de ser o centro da festa, ou apenas coincidência. Sei que o H. cresceu. Na atitude, na linguagem, na compreensão das coisas. É puro prazer estar com ele. Sempre foi, é claro, mas as birras deixam-nos muitas vezes exaustos e com vontade de fugir. Mas agora atravessa uma fase deliciosa. A maior gratificação que pode haver no mundo é olhar para aqueles olhos tão escuros e brilhantes que riem o tempo todo. Falar com ele é uma surpresa constante por tudo aquilo que já sabe e por tudo o que quer saber. Observá-lo a brincar enche-me de orgulho porque já não é um bebé que ali está a manipular simplesmente os brinquedos. Já existe uma compreensão e uma intenção por trás de cada gesto. As brincadeiras têm guião e enredo e vai falando sózinho, contando histórias, enquanto brinca.
Hoje de manhã quando acordou sorriu para mim de uma forma tão serena, tão cheia de felicidade que fiquei com aquele momento na minha memória até agora. O meu filho é um menino muito feliz. E que mais posso eu querer para ser feliz também?
Hoje de manhã quando acordou sorriu para mim de uma forma tão serena, tão cheia de felicidade que fiquei com aquele momento na minha memória até agora. O meu filho é um menino muito feliz. E que mais posso eu querer para ser feliz também?
5.4.05
Eu balão
Ao ver-me a sair do duche (de esguelha pela porta da cabina...será que vou conseguir tomar duche ali até ao fim?)
- Ena pá! Ganda barrigão. Vai rebentar.
Ai vai, vai, filho. Vai rebentar e de que maneira!
- Ena pá! Ganda barrigão. Vai rebentar.
Ai vai, vai, filho. Vai rebentar e de que maneira!
Bolo de anos
Todos os dias inventa uma nova decoração para o bolo de aniversário... hoje de manhã era com tubarões. Ontem era o Shrek. O do coleguinha que fez ontem anos era com o Noddy. "Mas não tinha carro..." - disse ele com desgosto. E eu ando aqui ao sabor da maré sem saber que decoração hei-de pedir para o bolo. Isto se tiver decoração porque o que me apetece mesmo é ser eu a fazê-lo, tenho ideia que os miúdos não comem nada daqueles bolos de compra. O H. não come, isso é certo, mas também nele não é de estranhar.
Coisas de Gajo
Agora passa a vida a pedir ao pai para lhe mostrar o motor dos carros. E pergunta o que são e para que servem todas as peças...e os comentários que acrescenta são extremamente pertinentes e certeiros (segundo o pai...porque eu fico na mesma). É incrível mas parece que percebe o mecanismo.
Curiosamente, a mim nunca me fez tais perguntas. Porque será?
Curiosamente, a mim nunca me fez tais perguntas. Porque será?
Sempre actualizado
À mesa do jantar de Domingo referimos qualquer coisa sobre o papa, assunto do momento, de imediato o H. virou-se para nós e disse:
- O papa morreu...
(Gostava de filmar as nossas caras quando ele se sai com uma destas).
- Pois foi, filho, o papa morreu.
Seguiu-se a inevitável-e-sempre-presente-pergunta:
- Puquê?
- Porque já estava muito velhinho.
A resposta parece ter sido suficiente porque mudou de assunto.
- O papa morreu...
(Gostava de filmar as nossas caras quando ele se sai com uma destas).
- Pois foi, filho, o papa morreu.
Seguiu-se a inevitável-e-sempre-presente-pergunta:
- Puquê?
- Porque já estava muito velhinho.
A resposta parece ter sido suficiente porque mudou de assunto.
1.4.05
De amanhã a oito dias teremos festinha de aniversário. Sem balões e palhaços. Duas das coisas que mais fazem tremer o meu pulguito. Como vou eu decorar a casa? Com bandeirolas e faixas, serpentinhas? Mas já se viu festa de criança sem balões? Este meu filho...
Desapareceu sem deixar rasto um dos mais bonitos, simples e bem escritos blogs da blogosfera. Parece que há um vazio por aqui... Será que é definitivo?