28.10.04
Sonho
De vez em quando tenho sonhos estranhos, dos quais me consigo lembrar na íntegra no dia seguinte. Enredos complicados, confusos, por vezes sem grande sentido. Cenas como que saídas de um filme, com cores, cheiros, temperaturas e cenários que vou buscar não sei muito bem onde.
Esta noite a minha casa foi o início de um enredo cinematográfico do melhor. Descobri que afinal nas traseiras da nossa casa nova não estava um pinhal, como até agora tínhamos pensado, mas sim uma favela brasileira. Com o avançar do "filme" percebi que efectivamente a minha casa estava implantada no cimo de um morro de uma cidade brasileira. A partir daí o filme desenrolou-se num sentido inesperado. Consciente que a minha vizinhança não seria propriamente a mais aconselhável, e perante este facto novo e totalmente inesperado para alguém que apenas pedira a companhia dos passarinhos e dos pinheiros para vizinhos, decidi que se não podia vencê-los teria mesmo que me juntar a eles. E assim fiz. O resto do sonho foi fantástico, pois deambulei literalmente por uma favela brasileira... senti o bafo quente do brasil (que eu saiba nunca lá estive, mas...), senti o aroma dos cozinhados e o cheiro a lixo dos becos mais escondidos, ouvi incessantemente a batucada, vi os homens à porta dos botequins a matarem o tempo, falei com brasileirinhas simpáticas e de bom trato, tive medo de personagens aterradoras e de olhar vazio. Descobri que toda a gente já tinha dado pela minha presença e me tratavam por princesa...
Acordei aliviada e feliz por continuar a ouvir o acordar dos passarinhos lá fora e por sentir o característico aroma da chuva no pinhal, mas valeu a pena a viagem!
Esta noite a minha casa foi o início de um enredo cinematográfico do melhor. Descobri que afinal nas traseiras da nossa casa nova não estava um pinhal, como até agora tínhamos pensado, mas sim uma favela brasileira. Com o avançar do "filme" percebi que efectivamente a minha casa estava implantada no cimo de um morro de uma cidade brasileira. A partir daí o filme desenrolou-se num sentido inesperado. Consciente que a minha vizinhança não seria propriamente a mais aconselhável, e perante este facto novo e totalmente inesperado para alguém que apenas pedira a companhia dos passarinhos e dos pinheiros para vizinhos, decidi que se não podia vencê-los teria mesmo que me juntar a eles. E assim fiz. O resto do sonho foi fantástico, pois deambulei literalmente por uma favela brasileira... senti o bafo quente do brasil (que eu saiba nunca lá estive, mas...), senti o aroma dos cozinhados e o cheiro a lixo dos becos mais escondidos, ouvi incessantemente a batucada, vi os homens à porta dos botequins a matarem o tempo, falei com brasileirinhas simpáticas e de bom trato, tive medo de personagens aterradoras e de olhar vazio. Descobri que toda a gente já tinha dado pela minha presença e me tratavam por princesa...
Acordei aliviada e feliz por continuar a ouvir o acordar dos passarinhos lá fora e por sentir o característico aroma da chuva no pinhal, mas valeu a pena a viagem!
22.10.04
Quipilóto
Ainda a propósito do "quipilóto", o helicóptero do H, lembrei-me de um episódio que aconteceu há uns tempos. Íamos no carro (caramba, parece que tudo acontece dentro do carro...ou andamos muito de carro ou só falamos com ele quando estamos dentro do carro!), como ia dizendo, íamos no carro e estava um helicóptero a sobrevoar a zona onde estávamos. Ele, sem precisar de ver sequer o dito cujo e apenas pelo som característico das pás, saltou logo: "olha...um quipilóto! Eu ri-me e disse "pois é...é um quipilóto que anda aqui a voar", repetindo a forma como ele diz a palavra. É coisa que não costumo fazer, porque não se deve e até porque sinto que ele não gosta. Repito a palavra correctamente sem ser com o intuito de corrigir mas apenas como comentário. Mas o "quipiloto" é tão irresistível que às vezes escapa-me. Acho mesmo que eu própria vou passar a dizer "quipilóto". A verdade é que, e continuando a história, ele apanhou logo a minha "falta". Fez-se silêncio e disse:
- Eu ainda sou pequenino...mas qualquer dia já sei dizer "quipilóto".
Nó ficamos eternecidos com aquele comentário amoroso. Dissemos-lhe que ele era pequenino mas que sabia falar muito bem, muito bem mesmo, e que helicóptero é uma palavra mesmo muito difícil de dizer. Ele tem muita consciência das suas (poucas) limitações em termos de linguagem. Talvez porque também percebe que comunica muito bem para a idade. Fica frustrado quando não consegue dizer bem uma palavra e mais ainda quando não consegue exprimir uma ideia.
- Eu ainda sou pequenino...mas qualquer dia já sei dizer "quipilóto".
Nó ficamos eternecidos com aquele comentário amoroso. Dissemos-lhe que ele era pequenino mas que sabia falar muito bem, muito bem mesmo, e que helicóptero é uma palavra mesmo muito difícil de dizer. Ele tem muita consciência das suas (poucas) limitações em termos de linguagem. Talvez porque também percebe que comunica muito bem para a idade. Fica frustrado quando não consegue dizer bem uma palavra e mais ainda quando não consegue exprimir uma ideia.
21.10.04
Amarela
20.10.04
De volta
Regresso com a satisfação de um dever cumprido. As nossas férias foram um bálsamo para os três. Uniram-nos ainda mais como família. Estamos muito felizes.
O que uma semana ao sol pode fazer...
As viagens de carro são sempre propícias a conversas engraçadas e às tiradas mais geniais do baixinho. A última fez-nos rir à gargalhada a nós, pobres pais ainda desprevenidos para este tipo de comentários por parte do rebento.
- Mãe...a minha pilinha está-se a mexer...
- Ah, sim?
- Sim, sim...está-se a espreguiçar.
Aconteceu...
Eu sabia que ia acontecer mas confesso que esperava ter mais um tempinho. Mas já aconteceu . Ontem.
Abraçadinho a mim com muita força o H disse-me: "mãe eu saí de dentro de ti...". Respondi, "é verdade, estavas na minha barriga". "E como é que saí mãe?".
A resposta foi a verdade (claro!). Mas camuflada. E depois fiquei a pensar na pergunta e na resposta e a sentir-me culpada por não ter respondido rigorosamente a verdade, mas a auto desculpar-me pensando que ele não tem qualquer necessidade de saber a completa e absoluta verdade e que até lhe podia fazer confusão, e a recriminar-me por ter sido complexada, e a desculpar-me porque ele tem só dois anos e meio... e a verdade verdadinha é que posso já começar a pensar na resposta que vou dar quando ele quiser saber como é que os bebés entram para dentro da barriga. Está para breve.
- Mãe...
- Sim?
- Tu és muita linda...
E eu que pensava que já tinha ouvido os melhores elogios da minha vida!
A palavra mais engraçada...
- quipilóto...
Alguém se arrisca a adivinhar o significado?
Regresso com a satisfação de um dever cumprido. As nossas férias foram um bálsamo para os três. Uniram-nos ainda mais como família. Estamos muito felizes.
O que uma semana ao sol pode fazer...
As viagens de carro são sempre propícias a conversas engraçadas e às tiradas mais geniais do baixinho. A última fez-nos rir à gargalhada a nós, pobres pais ainda desprevenidos para este tipo de comentários por parte do rebento.
- Mãe...a minha pilinha está-se a mexer...
- Ah, sim?
- Sim, sim...está-se a espreguiçar.
Aconteceu...
Eu sabia que ia acontecer mas confesso que esperava ter mais um tempinho. Mas já aconteceu . Ontem.
Abraçadinho a mim com muita força o H disse-me: "mãe eu saí de dentro de ti...". Respondi, "é verdade, estavas na minha barriga". "E como é que saí mãe?".
A resposta foi a verdade (claro!). Mas camuflada. E depois fiquei a pensar na pergunta e na resposta e a sentir-me culpada por não ter respondido rigorosamente a verdade, mas a auto desculpar-me pensando que ele não tem qualquer necessidade de saber a completa e absoluta verdade e que até lhe podia fazer confusão, e a recriminar-me por ter sido complexada, e a desculpar-me porque ele tem só dois anos e meio... e a verdade verdadinha é que posso já começar a pensar na resposta que vou dar quando ele quiser saber como é que os bebés entram para dentro da barriga. Está para breve.
- Mãe...
- Sim?
- Tu és muita linda...
E eu que pensava que já tinha ouvido os melhores elogios da minha vida!
A palavra mais engraçada...
- quipilóto...
Alguém se arrisca a adivinhar o significado?