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29.1.05

Enclausurada 

É como me sinto. Desde terça-feira que estou fechada em casa de enfermeira ao H. Saí terça-feira para ir ao pediatra e ontem, sexta-feira, para uma consulta na obstetra e novamente para o pediatra (quatro dias de antibiótico depois, a febre continua...).
Escusado será dizer que estou intratável. Não aguento estar fechada em casa. E embora tenha estado a trabalhar online, a verdade é que estar assim em casa sem poder sair sufoca-me.
A má notícia é que ontem eu comecei a ficar doente também...eu nem acredito. Estou muito constipada e com dores de cabeça. Ainda não há febre...pelo menos isso. Para piorar tudo o meu querido teve que ir trabalhar hoje o que significa que, apesar de ser Sábado, continuo presa em casa, sem poder sair. Ahhhh!!!!!!!

27.1.05

Daqui fala a "indiota"... 

Ao telefone com a avó...

- Então querido estás melhor? o mimo e a baba escorrem pelo telefone...
- Já estou bom! pois, pois, a febre continua a aparecer, não come nada, doi-lhe a barriga...mas está bom!
Sabes a minha mãe é uma "indiota"!
- gargalhada do outro lado, eu nem acredito que se ri disto... Ah, é? E porquê querido?
-Porque não me deixa ir para a rua andar de bixicleta...

2 anos e quanto? Estou tramada. Nem sabia que ele conhecia a palavra idiota. Não só conhece como aplica na perfeição...


26.1.05

Ainda doentinho 

Ontem o médico do H. ligou-nos depois de ouvir a mensagem que deixámos no telemóvel e recebeu-nos no consultório apesar de não ser dia de consultas. Até hoje esteve sempre presente quando era necessário. Isso é mesmo o mais importante num pediatra (para além da competência, mas isso é óbvio, e ele também tem de sobra). Ficou um pouco perplexo com aquelas temperaturas que não baixavam nem com paracetamol nem com Brufen, especialmente por não existir mais nenhum sintoma associado. Nem amigdalite, nem otite, nem nada disso. Só febre, cada vez mais alta e mais resistente aos medicamentos. Achou por bem receitar-lhe desde logo um antibiótico pois, segundo disse, será provavelmente uma bactéria em circulação no corpo. Depois...é esperar e tentar baixar a febre. Pois, em teoria é fácil. Mais à noite, passada uma hora de ter tomado brufen, que tive que lhe dar assim que passaram as quatro horas mínimas de intervalo com o ben-u-ron, estávamos a ligar para o Doi-doi Trim-trim porque o termómetro marcava 40,3º e eu, sinceramente, estava a começar a entrar em pânico. Apavora-me a possibilidade de uma convulsão. O R. esteve meia hora ao telefone com a incansável e super atenciosa senhora do Dói-dói trim-trim , que enquanto a febre não começou a baixar não descansou. Terminou a chamada com um beijinho de melhoras para o H. e recomendando vigilância de 24 horas sobre 24 horas... Resumindo, a noite foi passada com pouco descanso, mas felizmente com a febre controlada. O dia começou bem melhor! Ele acordou a falar, o que é um óptimo sinal. Hoje a febre já não passou dos 38 e picos e aguenta as 8 horas de efeito do ben-u-ron. E pronto, em convalescença...e mais uma daquelas que acabarei por não fazer ideia do que foi. Desta foi um susto bem grande!
Estas coisas lindas dão-nos cabelos brancos. Eu estou cheia deles...

25.1.05

Doente 

Estreou-se agora nas doenças deste Inverno. Só posso agradecer por ter sido tão tarde...fim de Janeiro é um luxo para quem estava habituada a começar nas idas para o médico e faltas ao trabalho em Outubro, para terminar por volta de Abril. Mas custa sempre tanto vê-los doentes. Febris. Sem comerem, nem se mexerem. Até anseio por uma daquelas cenas macacas à mesa. É a gripe, essa parva que anda a causar estragos por todo o lado. E o médico hoje não atende nem o telefone do consultório nem o telemóvel. Deve ser hoje o dia de banco (porque é que me esqueço sempre qual é o dia? não tenho agenda para escrever?).
A febre tem andado ali pelos 38,5º, 39º. O ben-u-ron dura três horas mal medidas. Que raiva. Se isto não tiver melhoras até à noite lá vou ter que ir com ele para as urgências do Hospital. Não que seja mal tratado, longe disso, a pediatria do Garcia d'Orta é um espectáculo. Mas aquilo é um foco de doenças e sinceramente evito lá ir, por ele, e agora também por mim, que não me convém apanhar doenças nesta altura. Centro de saúde...perdoem-me os bons médicos que existem certamente nos centros de saúde deste país. Mas não confio. Não têm pediatras. Aquilo é tudo corrido à chapa 7. A receita é a mesma para toda a gente.
Resta-me para aí o CUF Descobertas, com filas de espera iguais ou piores às do Garcia d'Orta e muito mais longe. E a Cliniped, aqui ao lado, mas com serviço igualmente demorado.
Também posso, graças ao seguro de saúde, chamar um médico a casa, por tuta e meia. A única vez que o fiz para o H. ficámos na mesma porque o Dr. tentou diagnosticar uma otite apertando os ouvidos com os dedos. Como a criança não guinchou não tinha otite. Dê-lhe ben-u-ron e maxilase... no dia a seguir o pediatra diagnosticou, obviamente depois de observar os ouvidos por dentro com uma aprelhómetro relativamente simples, mais uma das famosas otites, bilateral, e bem avançada por sinal. Por isso...mais uma vez o tempo será meu conselheiro e em breve descobrirei o que fazer. Quase certa é a minha ausência do posto de trabalho físico (trabalho online...) durante os próximos dias.
Motherhood oblige!

Mulheres 

Na blogosfera tenho "conhecido" pessoas espantosas. Ainda não conheci ninguém pessoalmente. Nem sei se algum dia o farei. Há uns tempos diria categoricamente que não. Hoje vejo-me com muita vontade de travar conhecimento, mas do que virtual, com algumas dessas mulheres. São mulheres com M grande. Corajosas. Lutadoras. Dedicadas. Femininas. Bonitas.
Fico abismada com a força que transparece nas suas palavras, com a ternura que dedicam aos filhos e a família, com a frontalidade com que admitem os seus próprios erros, com a coragem que demonstram no dia-a-dia sem quase se aperceberem que são super mulheres, com a facilidade com que põem em palavras o indescritível amor de mãe, e muitos outros exemplos que agora podem não me ocorrer mas que não deixo de admirar diariamente.
Mudei um pouco desde que entrei para este estranho e encantado mundo dos baby blogs. Acho que me sinto mais apoiada e menos só em certos pensamentos e nos momentos em que me estou a ir abaixo por algum motivo, mais ou menos insignificante.

24.1.05

Traquinices 

O H. está a passar um fase de rebeldia. À mesa é onde mais adora libertar as energias acumuladas. Atira com garfos, facas e colheres para o chão. Passa o tempo todo a fazer disparates e deixou de comer sózinho. Se não lhe der tudo à boca não come nada. É desgastante. É das poucas alturas do dia em que me sento e costumava ser uma altura de diálogo e de descanso. Agora é um campo de batalha. Já tentei todas as abordagens, desde ignorá-lo a ralhar-lhe suavemente, a ralhar-lhe menos suavemente, experimentei tirar-lhe tudo da frente e dizer que ele ainda era muito pequenino para conseguir estar sossegado à mesa a comer sózinho...tudo sem efeito. O Brazelton recomenda que assim que a criança começa a portar-se mal à mesa a devemos pôr no chão e não lhe dar mais nada para comer até à refeição seguinte. Até acredito que tenha resultados, mas os 11,400 Kg do meu filho que vai fazer três anos não me permitem esses luxos. Ele tem que comer uma refeição completa sempre. E então lá vou tentanto suportar este comportamento de rebeldia da melhor maneira que consigo. Acumulo de tal maneira os nervos dentro de mim que qualquer dia estou com uma úlcera nervosa. O que me vai valendo é a certeza que, como em tudo na vida deles, esta é apenas mais uma fase. Mas há com cada fase mais dificil de suportar!
A rebeldia não se fica por estes episódios à mesa. Fora dela as cenas também se sucedem, numa tentativa de chamar a atenção (?) ou simplesmente como um escape para as pressões do dia-a-dia. Que embora criança também as tem, e bastantes. Voltou a mexer em tudo, como quando tinha 18 meses e estava a descobrir "o seu mundo". Também anda pródigo em birras, cada vez que é contrariado.
Finalmente uma outra alteração de comportamento, tem-nos dado um trabalhinho extra. Mas essa tem quanto a mim uma explicação óbvia. Tem tido "acidentes" frequentes, diários ou bi-diários. Curiosamente faz xixi nas calças sempre no mesmo sítio, quando está sentado no sofá. Está a começar uma das famosas regressões típicas de irmãozinhos mais velhos enciumados. Mais uma vez recorri ao Brazelton e espantou-me a semelhança entre o caso prático que ele descreve e aquilo que se está a passar com o H. Com o meu filho a diferença á que está a acontecer muito cedo. Mas a verdade é que para ele o mano é um assunto mais do que assente. Já faz parte do dia-a-dia dele, quase como se já tivesse nascido. Esforço-me ao máximo para não lhe lembrar a situação, afinal ainda falta tanto tempo para ele já estar naquela angústia e ansiedade, mas mesmo assim ele lembra-se do assunto frequentemente e está sempre a mencionar o mano seja porque motivo for. Espero que esta antecipação toda também signifique que os "sintomas" vão terminar mais cedo. Que quando o mano chegar não tenha que mudar as fraldas do pequeno e a roupa do grande. Aguardo serenamente (dentro do possível) novos desenvolvimentos.

20.1.05

Faz-me falta... 

...vir aqui postar umas coisas. Tantas que tenho para contar! E tempo? Ah, poizé, poizé. Tempo não há.

Rápido, rápido que tenho que ir almoçar...


Cabeça fresca...
Já falei da paixão do meu pequenino pela Shania Twain? é raro o dia que não há sessão de Shania lá em casa. Variamos entre o concerto de Chicago e o de Miami...mas aquilo está a começar a ficar cansativo.
Não satisfeito com a visualização diária dos DVD's, de manhã no carro tem-me pedido...

- Mãe, põe a Shania...

E eu ando de dia para dia a esquecer-me de pôr um CD da dita cuja no carro...

- Olha, a mãe voltou a esquecer-se de trazer o Cd para o carro. Hoje vamos lá ver se me lembro. Mas tu devias lembrar a mãe...
- Tá bem. Eu aviso-te.
- Então não te esqueças, tá bem? É que, sabes, a mãe tem uma cabeça de alho choxo. Sabes o que quer dizer?
- Cabeça de alho choxo???? Não!
- Quer dizer que a minha cabeça está velhota e esquece-se das coisas, a tua é que está fresquinha.
- E a tua? Tem calor?


12.1.05

O bebé já saiu? 

Ontem cheguei a casa já tarde, o H. já estava à mesa a comer a sopa. Quando me viu entrar perguntou: O bebé já saiu? Respondi-lhe, naturalmente, que não, que ainda falta muito tempo, que o bebé só vai nascer quando estiver calor, quando for Verão. Mais tarde o papá disse-me que já tinha sido bombardeado com perguntas do género. Nós andamos a evitar falar no assunto à frente dele mas ele não esquece, o assunto mano está sempre presente naquela cabecinha. Será curiosidade, medo de ser substituído, ciúme?... gostava de perceber. Mas como é que nós podemos perceber o que vai na cabeça de uma criança que ainda nem tem três anos? Pensando friamente, e sem preocupações de mãe-galinha, o facto de ele estar sempre a falar no assunto é natural e é até muito saudável. Afinal, a gravidez e este bebé também faz parte do meu pensamento constantemente. É um facto que esta criança já existe entre nós, na nossa família, não vai passar a existir apenas quando nascer. Se calhar ele está só a reagir da melhor maneira que pode reagir: fazendo do mano uma presença constante na sua vida.

10.1.05

Parabéns! 

O papá do H. hoje faz anos... Conhecemo-nos em Setembro. No Janeiro seguinte, já namorávamos, ele fez 19 anos. Eu tinha 17. Ele faz hoje 32. Eu fiz 30, em Junho. Posso dizer que passei praticamente metade da minha vida ao lado dele. E espero que assim continue. Crescemos juntos... vivemos quase tudo juntos. E continuamos assim. A verdade é que o nosso amor existe. Assim. É tão presente em cada um de nós que por vezes nos esquecemos dele. Ele está ali, ao meu lado, simplesmente. Mais de uma década passada, é fácil cair na rotina. Nós caímos muitas vezes nessa rotina, para a qual o lufa-lufa do dia-a-dia que nem nos deixa respirar nos atira. E zangamo-nos. Muitas vezes. Discutimos outras tantas. Eu acuso-o de não fazer nada em casa. Mas quando ele não está sinto, e muito, a falta que ele faz...Deve ser porque afinal sempre faz algumas coisas. Pensando bem, até faz bastante. Se calhar é tudo mesmo fifty-fifty. Com especialidades diferentes, é certo. Mas por muitos amuos e zangas que tenhamos, nunca, mas nunca, adormecemos zangados. Acho que nunca uma zanga nossa passou para o dia seguinte. E eu acredito que parte do segredo está aí. Acredito também que a maior parte do segredo está no amor verdadeiro que sentimos um pelo outro. Na sorte que temos de nos termos encontrado. Porque quando se fala em almas gémeas eu acredito sinceramente que encontrei a minha. E imagino-me sempre a envelhecer ao lado dele. Sempre. Mesmo nos momentos de maior crise, que já existiram, eu nunca acreditei completamente que nos fossemos separar. Acredito sempre que vamos resolver as coisas. E resolvemos. O saldo final destes 13 anos é muito positivo e é tão bom saber que tu estás aí, sempre, ao meu lado. Parabéns. Amo-te! Este ano o teu cartão é público. Sei que não gostas...mas há alturas em que temos que nos guiar pela nossa vontade imediata e não pela razão.

7.1.05

Pesadelo 

Acordou a chorar e a chamar pelo pai. O pai já tinha saído...perguntei-lhe o que se passava e ele a choramingar com um ar assustado.
- Foi um sonho, bebé? Conta à mãe o que foi.
- Tu 'tavas a subir no balão, eu caí e fiquei no chão e tu ias a subir... (beicinho de cortar o meus coração em dez fatias...)
- Ó bebé, foi ó um sonho, já passou, a mamã está aqui...
- mas poque foi o sonho, mãe?
- Sabes, quando estamos a dormir, nós inventamos histórias, que parecem filmes na nossa cabeça. Mas é tudo a fingir! Não acontece nada...

Fechou os olhinhos e dormiu mais um bocadinho.
E eu fiquei a pensar naquele sonho e não pude deixar de fazer algumas analogias: balão, eu a fugir, ele a ficar... chama pelo pai...o único que continua só dele(?).

Será que quem está a sonhar sou eu?

3.1.05

Ano novo, nova vida 

E entretanto, em jeito de despedida de 2004, no último dia do ano nasceu a Filipa. Parabéns aos papás...e que este começo de 2005 tão especial seja prenúncio de uma vida muito feliz para os três.

Há alturas em que mais vale aos pais serem "egoístas" e deixarem os filhos em casa dos avós para poderem sair descansados e descontraídos do que forçarem-se a ficar com os filhos por ser supostamente melhor para eles. Foi o que me aconteceu nesta passagem de ano. Cheia de boas intenções decidi que o meu filho passava comigo e com os nossos amigos e respectivos filhos em nossa casa. Foi uma noite memorável. No pior sentido. Birras, gritos, guerras, fitas, vómitos fizeram da nossa festa um cenário de catástrofe que me fez pensar que tinha sido muito burra. Cansei-me horrores durante o dia 31 a preparar petiscos e mais petiscos - sozinha - para tudo estar "perfeito" à noite. E no fim, o meu agradecimento, foi um cansaço descomunal - mal conseguia estar em pé com as dores nos ossos da bacia - e uma sensação muito frustrante. Nem me diverti, nem conversei, nem descansei, nem coisa nenhuma. Limitei-me a trabalhar e a zangar-me com o H. para ele não estar constantemente a irritar a amiga M., fazendo-a chorar e vomitar como consequência.
2005 trouxe-me logo uma lição. Se o tivesse deixado com os avós, que ficariam radiantes da vida, e tivesse ido para algum lugar onde tudo já estivesse feito...teria começado o ano muito mais em paz comigo e com ele. Mais calma, mais feliz e mais relaxada. Mas está feito e agora já passou. Ontem já tivemos tempo para nos reconciliarmos um com o outro e hoje de manhã ele já voltou quase ao "normal".

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