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29.3.05

Regresso 

Após praticamente três meses de ausência, perfeitamente justificados, a Susana voltou. A Contagem Decrescente terminou no último dia de 2004. Agora podemos acompanhar a vida da linda e calma Filipa, que iniciou em Contagem Crescente a sua vida, bloguística, e não só. Que seja uma vida linda!

A Susana é uma mãe babada. Todas somos, mas umas mais que outras. A Susana é muito. E tem muitas razões para o ser, bem entendido. Mas a Susana 2005 é uma pessoa diferente da Susana 2004. É um daqueles casos em que se vê uma mudança evidente. Em que um filho faz alguém deitar cá para fora todos os sentimentos bons que existem cá dentro e que nem sempre mostramos. É um caso de uma mãe que nasceu para uma amor inteiramente novo, supremo, inimaginável. E ela descobriu esse amor devagar...a pouco e pouco e ao longo de nove meses de dúvidas, interrogações e indecisões. A surpresa de 31 de Dezembro foi maior do que ela esperava...o amor foi mais surpreendente do que ela imaginava. E assim leio por detrás do olhar da minha amiga, uma mulher muito feliz e realizada. Parabéns!

Susana: espero que compreendas as minhas palavras, e que não te importes que "exponha" aqui aquilo que penso que se passou contigo em termos emocionais. Acho que percebes onde quero chegar. Beijinhos!

28.3.05

Pestinha 

O meu filho está um pestinha. Faz-me lembrar o Dennis...aquele do filme que só faz asneiras, umas mais inocentes que outras. A energia dele parece inesgotável. A sério, aquela criança não pára um segundo. Anda o dia inteiro a correr. Agora, ao fim de semana, nem sempre dorme a sesta. Deveria adormecer mais cedo, certo? Errado. Adormece à mesma hora tardia de sempre. Não sei como aguenta tanto. Eu estou nitidamente sem pedalada para ele.
A parte boa é que é muito meigo e carinhoso e tem momentos de ternura muito reconfortantes. A parte má é que é um verdadeiro rebelde. Muuuito teimoso. Difícil de dar a volta. Intransigente. E agora...temos tido umas verdadeiras batalhas campais às refeições. Come tão mal, tão mal...acho que se eu não fosse tão persistente ele não comia nada. Mas começo a ficar tão saturada das cenas à hora das refeições. Acho que se continua assim vamos acabar por ficar todos traumatizados com isto.
Alguém tem sugestões de coisas para abrir o apetite?

23.3.05

O meu verdocas 

À saída do colégio eu e a educadora do H trocávamos umas impressões. Ela abre a mala, saca de um cigarro e acende-o. Estarrecido, do alto dos seus 90 cm, o H. pergunta de rompante, alto e bom som, num tom de reprovação que não deixava margem para dúvidas: Tu fumas??????. A J., ficou tão envergonhada que até corou, e respondeu-lhe: Fumo. Não devia...mas fumo.
Exclamação imediata e repugnada: Bllharc...que nojo!
Eu ri-me com muita, muita vontade.

O pai já lhe conseguiu passar o anti-tabagismo militante.

21.3.05

Rescaldo 

Três longas semanas depois terminaram as obras na minha casa. Não a 100%, que ainda ficou pendente um pormenor, mas isso já é "piece of cake" para nós. Ontem foi dia de arrumar e limpar. E já ficou tudo no sítio. E muiiiito espaço livre. Passei a ter todo o mobiliário que estava em 20 m quadrados numa sala duas vezes e meia maior. Está tudo literalmente a nadar. E como o dinheiro não estica assim vai continuar durante um tempo. Aquilo agora é um autêntico playground interior, que vem em boa altura, por acaso, agora que a chuva finalmente se decidiu a visitar-nos.
Aqui a mamã não pode é dar-se ao luxo de passar um dia como o de ontem. Cheguei à noite com umas dores tais nos ossos da bacia que depois de me ter deitado para adormecer o H. já não me consegui levantar. Dores lancinantes impedem-me de pousar os pés no chão. Isto é no mínimo bizarro...mas está-me a acontecer, tal como aconteceu quando estava grávida do H.
Esta semana o papá estará bem longe, do outro lado do oceano, em trabalho. Tenho o filhote só para mim...todos os beijinhos, todos os abraços, todas as gracinhas... Tenho também só para mim as birras descomunais para comer com que me brindou este fim-de-semana, as outras birras já habituais, os banhos, os levar ao colégio, os ir buscar ao colégio, o preparar das refeições e todos os colos! Ou me engano muito ou vou chegar a sábado um bocadinho cansada. O que me vale é o feriado de sexta-feira. E alguns jantares na mãe e na sogrinha. Nestas alturas, e noutras também, dou sempre graças de vivermos todos tão perto.
Quando o papá voltar vamos começar os preparativos do quartinho da C. Estou ansiosa de pôr tudo no sítio e de escolher a decoração.

18.3.05

Cenas dos últimos capítulos 

Ontem à noite, referindo-se à mana:
- Ó mãe, eu 'tou aflito para vê-la!

Hoje, quando me despedia dele no colégio, quase me despiu ali mesmo à frente de toda a gente. Insistiu em levantar a blusa para dar um beijinho na mana: "Adeus, mana linda..."

A educadora J. apreciava a cena e veio falar comigo, dizendo-me que ele é uma criança muito meiga. Quando lhe contei o comentário dele, absolutamente espontâneo, sobre estar "aflito para vê-la", a J. explicou-me que ele exterioriza perfeitamente os seus sentimentos em palavras. Eu já tinha percebido, mas não tenho contacto suficiente com crianças para perceber até que ponto isso é "normal" naquela idade. A J. disse-me que não há termos de comparação nestes assuntos, que é algo que faz parte da personalidade dele aliado à sua capacidade verbal acima da média. Disse-me ainda que isso era muito bom para ele porque o ajudava a ultrapassar os conflitos interiores. Explicou-me que nesta fase de nascimento de uma irmã seria óptimo porque o H. conseguirá transmitir-nos o que está a sentir, os seus agrados e desagrados em relação a uma situação tão nova.
Fiquei satisfeita com esta conversa. Sei que a invasão dos espaços, emocionais e fisícos, que até agora foram só dele não são fáceis de gerir. Não é à toa que as crianças reagem de formas "estranhas" ao nascimento de um irmão, regredindo em muitos aspectos e tentando desesperadamente chamar a atenção sobre si. Esta situação pode mesmo ser violenta para uma criança, fazê-la sofrer, deixando-a deprimida. Aos pais caberá a tarefa de se multiplicarem e de conseguirem mostrar à criança que a vinda de mais um membro para a família não lhe tirará nada e que todos têm a ganhar com isso. Até agora o H. passou por várias fases. Começou por demonstrar curiosidade, depois começou a ignorar a existência da irmã, passou uma fase de regressão na qual fazia xixi nas calças todos os dias quando chegava a casa (na escola nunca aconteceu), a seguir passou a fase da contestação do nome (que me pareceu mais uma forma de se afirmar perante nós). Agora, que a barriga já é mais do que visível, acalmou. Deixou de contestar o nome, nunca mais a palavra "Sofia" lhe saiu da boca, e está de uma meiguice inacreditável. Dá beijinhos na barriga, fala para a mana e faz comentários como os que descrevi acima: "estou aflito para vê-la", "é a minha mana mais linda" e "gosto tanto dela, mãe...".
Sei que a fase mais complicada ainda está para vir e será o meu tempo de ausência na maternidade e os primeiros dias em casa em que possivelmente vai ser complicado dar-lhe muita atenção. Mas eu sou muito optimista e acredito que darei conta do recado. E acredito, mais do que nunca, na capacidade de amar e no carinho que o H. tem dentro dele.

Toda esta conversa me fez reflectir numa "polémica" recente sobre irmãos que todos pudemos acompanhar nalguns babyblogs. Quando li o texto da Sara, confesso que a minha primeira reacção foi contestar por completo o que ela escreveu. Reflectindo bem sobre o assunto, acho que o que está verdadeiramente errado naquele comentário é a forma como ela coloca a questão. A forma de se exprimir e os exemplos que dá é que não são os mais correctos, ou pelo menos, os mais consensuais. Mas existe um fundo de verdade no que ela diz. Não são só ideias disparatadas que ela ali contempla. As crianças sofrem com a invasão do seu espaço por um irmão e se os pais não souberem lidar com isso, pode mesmo ser uma situação traumatizante para elas. Mas não tenho dúvidas de que, na esmagadora maioria dos casos, a vinda de um irmão é benéfica para a criança. Ter as atenções todas concentradas em nós também não é bom. As expectativas que os pais põem num filho único são por vezes sufocantes e nem sempre saudáveis no desenvolvimento de uma criança. Aprender a partilhar, a gerir conflitos, a discutir e a pedir desculpa faz parte da vida. São lições que começamos por aprender, em casa, quando temos um irmão. Na adolescência o irmão é o ser que mais próximo está de nós, os pais são quase "o inimigo número um". Em adultos, or irmãos estão ao nosso lado nas perdas mais difíceis que temos que enfrentar (os avós, e depois os pais). São os tios dos nossos filhos. Amam os nossos filhos quase como se fossem deles. Sentimos cá dentro a consolação de saber que ficarão acompanhados caso algo nos aconteça. E tanto mais que um irmão nos pode dar...
Eu teria mais do que dois filhos se a minha vida fosse diferente. Não vou ter, porque tenho consciência que dois já será uma aventura. Tenho uma irmã e a minha mãe diz que "se soubesse o que sabe hoje", teria tido mais um filho. A minha avó teve dois e dizia-me exactamente o mesmo. A minha avó paterna teve sete filhos e hoje dá graças a Deus por os ter tido.

É...os filhos são mesmo o melhor do mundo!

10.3.05

Tenho a certeza que o que eu ia escrever aqui era muito interessante, mas esqueci-me...
A minha cabeça já não é o que era!

7.3.05

Coisas soltas 

Daqui a um mês o H. faz três anos. Três anos?!?!?! O que se passa com o tempo? Estamos a ser sugados por uma espiral em direcção a outra dimensão? Parece que foi ontem que fiquei grávida...a primeira vez.

Na sexta-feira faltavam 4 meses para as 40 semanas. Quatro meses?!?!?!? Mais uma vez a espiral sugadoura...

Ainda agora me mudei e tenho a casa em obras. Escuso-me a descrever como tem sido viver ali na última semana. Arrependida? Não! Agora é que a casa vai ficar exactamente como eu quero. A parte má é que aquilo deve acabar esta semana e vai ter que ser tudo limpo. Quando digo tuso, é tudo. Interiores de armários incluídos.

O H. continua a surpreender-me. Está teimoso como nunca foi...mas com as palavras certas vê-se que começa a reflectir nas suas atitudes. Está a aprender a viver em sociedade. Está a perceber lentamente que o mundo não gira à volta dele. Por muitas asneiras e birras que faça, não consigo deixar de sorrir e de babar quando olho para ele.

Sim. Ando muito pensativa e filosófica. Devem ser as hormonas ou então são os trinta... continuam as reflexões sobre a amizade que me têm levado a verdadeiras introspecções. Acho que começo a perceber de onde vêm estas minhas teorias.

Acho que, apesar de tudo, tenho alguns amigos verdadeiros. Alguns estão aqui ao lado e eu ainda não consegui interiorizar o quanto já o são. Tenho dificuldade em me entregar a uma amizade. O problema é muito mais meu do que do outro lado. Esta foi uma das primeiras conclusões que tirei das minhas viagens interiores.

Não sou feliz profissionalmente (mas também não sou infeliz...sou...conformada?!?!?). Em tudo o resto sou absurdamente feliz e realizada. Não faço a minima ideia do que seria necessário para ser feliz profissionalmente. Primeiro que tudo tenho que descobrir o que é que gostava de fazer. Acho que os trinta são uma boa idade para esta descoberta.

Não ganhámos o Euro milhões, mas esta semana há novamente jackpot. Deve ter sido por isso. Assim ganho ainda mais. 25 milhões de Euros, ou coisa parecida.

Chegava para me tornar feliz profissionalmente...eh, eh, eh.

Tenho uma vida cheia, cheia, cheia. Os meus dias são é estupidamente curtos para a gozar.

Preciso de tempo para organizar fotografias, fazer ponto-de-cruz, aprender a costurar, ler, jardinar e fazer desporto.

Adoro estar o fim de semana inteiro na minha casa. Agora adoro mesmo! Antes era uma tortura. Tenho que agradecer a um dos principais responsáveis por isto... Obrigada!

4.3.05

Trabalho da escola 

O trabalho consistia em colar numa cartolina algumas fotos da família, que os pais tinham levado, e "ditar" à educadora a respectiva legenda. Estamos a falar de um trabalho da sala de 2/3 anos.
Levei umas seis fotografias: com a mãe, com o pai, com os avós paternos, com os avós maternos e com a prima Madalena.
Legenda da fotografia com a mãe: esta é a minha mãe comigo em casa da avó G. A minha mãe tem a minha mana Sofia dentro da barriga.
A educadora e a auxiliar, sabem da história, e olharam uma para a outra com os olhos esbugalhados. Mas...regras são regras e tiveram que escrever o que ele disse. E assim o trabalho vai ficar para a posteridade. Um dia ele vai-nos perguntar que conversa é aquela da mana Sofia e nós vamos ter que lhe confessar que não lhe fizemos a vontade, apesar da sua insistência de meses no mesmo nome.

3.3.05

Pensamento III 

O amor e a amizade podem ou não coexistir?

Pensamento II 

A certeza de que temos em determinada pessoa um verdadeiro amigo é sentirmos, a qualquer momento, a qualquer hora, em qualquer circunstância que podemos pedir-lhe ajuda e que ele vai lá estar para nos ajudar sem pedir justificações, sem nos lembrar o quanto essa ajuda lhe vai custar e sem exigir contrapartidas.
Quando, antes de pedirmos essa ajuda no momento mais desesperado, hesitamos, sem saber como vai reagir o outro algo não está a 100% nessa amizade.
Mais grave é quando pedimos a ajuda sem hesitar e do outro lado recebemos essas três coisas: pedido de justificações, contrapartidas e relato do quanto essa ajuda é difícil. É um duro golpe nessa amizade. É um grande ponto de interrogação quanto à existência da mesma.

Pensamento I 

Os filhos desiludem-nos. Mesmo quando são muito pequeninos há sempre uma altura em que uma atitude pontual não corresponde à imagem que tinhamos deles. A verdade é que são crianças, mas são pessoas, pequeninas, mas com personalidade própria. Nós, pais, contruímos uma imagem na nossa cabeça daquilo que eles são. Quando as atitudes deles chocam, repentinamente, com essa imagem o sentimento de desilusão (ainda que fugaz) aparece. É um terrível sentimento, este. A mania que temos de que os nossos filhos têm que ser como idealizámos. Ontem fiz esta descoberta. Pela primeira vez senti desgosto por uma atitude do H. Um desgosto perfeitamente parvo, mas que me magoou. E fiquei a pensar nisto...até agora. Como enfrentaria um filho que se desviasse por completo daquilo que eu (inconscientemente) idealizei?

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