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31.12.03

Até para o ano! 

Hoje vim trabalhar. Até à hora de almoço, ao que parece. Claro que me senti uma vítima, mas tem que ser...
Demorei 15 minutos a chegar à minha secretária. Parecia dia de Natal. Isto tudo porque me lembrei de uma amiga que, no seu último texto, mais parecia uma Fera de Circo queixando-se amargamente do trânsito da 25 de Abril. É, de facto, um assunto delicado. Também pergunto várias vezes o que me passou pela cabeça quando decidi ficar a morar ali para sempre... Mas hoje não foi um desses dias. Saí de casa com um sol radioso e, calmamente em 15 minutos, estava sentada à minha secretária com vista para o rio. Encontrei aqui um silêncio arrasador. Só se ouve o meu teclar furioso. Os telefones não tocam e os mails não chegam. Isto está calminho.
Saio daqui e vou fazer as compras de última hora para o jantar de hoje. Este ano passamos no aconchego do lar. Com pessoas muito queridas e próximas. Conversas, risos e várias sobremesas...e, por razões que a razão desconhece, este ano vamos receber o 2004 brindando com Champomy!
O nosso traquinas vai certamente ser o centro das atenções e das brincadeiras. E vamos falar do futuro e dos planos para estes 365 dias novinhos em folha que encetamos à meia-noite. Acho que vai ser gostoso. Até para o ano.

30.12.03

Afinal... 

...não choveu. O sol brilha lá fora. A minha janela com vista para o rio consola-me a falta de vontade de aqui estar - quem me dera uma praia paradisíaca! - e dá-me a ilusão de uma primavera longínqua.
Apesar das previsões dos "manda-chuva" (lembram-se da expressão?) a dita ainda não fez a sua visita, adiando o tempo triste para o primeiro dia do ano. Hoje tenho muitas coisas para dizer...mas não me apetece. Acho que me fico por aqui. A típica nostalgia do fim do ano apoderou-se de mim. As minhas ouvintes favoritas foram de férias e deu-me para isto.
...e a praia paradisíaca, uma espreguiçadeira e o livrinho que está a ganhar pó na minha mesinha de cabeceira???? uhmmm...vou continuar a sonhar.
Até amanhã.

29.12.03

Dois mil e quatro 

A azáfama de Natal a juntar à já habitual confusão do dia-a-dia dão nisto: tempos e tempos de ausência. O meu silêncio não se traduz em falta de coisas para dizer. É mesmo muito em que pensar e pouca disponibilidade mental para reflectir.
Tenho a sensação que este 2004 que se aproxima vai trazer muitas mudanças na minha vida. "Ver o fundo do tacho". É isso que eu espero agora...com alguma ansiedade, à mistura com curiosidade e mesmo uma certa angústia.
Às vezes fico a pensar se este caminho me vai levar a algum lado. Só chego à conclusão que a vida deve ser vivida assim mesmo...como ela é. Aproveitar o lado bom que todas as situações nos trazem e aceitar serenamente aquelas que nada têm de bom mas, contra as quais, as leis do Homem nada podem fazer. E a verdade é que "a experiência é um pente que a vida nos dá quando já não temos cabelo" e será sempre e eternamente assim.
Se, por um lado, estou desiludida com o que me rodeia, por outro não posso deixar de estar agradecida por ter encontrado no meu caminho tanta gente fantástica e alguns amigos que sei que são para a vida inteira. Já valeu a pena. E, quem ficar no barco, logo verá o que fará com o que restar dele...
Para vocês (meia dúzia) que conhecem este blog e, consequentemente, me conhecem a mim: um óptimo 2004!!!!
Para todos vocês, sem excepção, este será um ano decisivo e um marco das vossas vidas - em diferentes aspectos é certo - mas a todos desejo a maior sorte, força de vontade e perseverança e que, para o ano, estejamos todos juntos e ainda mais unidos!

23.12.03

Já nasceu o Deus Menino... 

Vi ontem no Jornal da Noite, nas inevitáveis peças sobre "as pessoas estão a gastar menos este Natal" uma menina de uns sete ou oito anos que à pergunta "Sabes porque é que existe o Natal?" respondeu que era para as crianças receberem presentes e ficarem mais felizes.
Foi aterrador. De repente percebi o que significa realmente a expressão consumismo. A jornalista ainda insistiu um bocadinho perguntando-lhe se conhecia a história do menino Jesus. A criança acenou com a cabeça ao reconhecer a expressão (provavelmente soou-lhe a uma personagem familiar presente nas músicas de Natal que ensaiaram para a festa da escola) mas mais não sabia...
Fiquei com um pouco de pena dela. Quando crescer e deixar de sentir aquele nervoso miudinho anterior à abertura dos embrulhos, pouco ou nada lhe vai restar. Se for gulosa, talvez os doces. Mas mesmo esses se vão tornar ameaçadores ao primeiro despontar da adolescência, que parecia não muito distante.
Do Natal, felizmente, guardo mais recordações do que o simples abrir dos presentes. Lembro-me que a cada ano a montagem do presépio era acompanhada da história de como tudo aconteceu... Cada peça com seu símbolo: o menino Jesus nas palhinhas, os animais a aquecerem-no com o seu bafo, a gruta como refúgio da perseguição, os reis magos a chegarem um de cada ponto do mundo com oferendas para o menino (no caso, de cada caminho de terra construído por nós), e por aí fora. Uma história bonita que dava tanto significado a tudo.
Sem essa história eu sei que o meu Natal seria bem mais triste. Já contei a história ao meu filho de 20 meses. Mas amanhã à noite vou contar mais uma vez...


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