29.6.05
Evoluções
E se ontem fomos brindados com um acordar desastroso do pestinha, que nos deixou de nervos em franja à beira de um ataque de nervos. Duas horas entre acordar e sair de casa, com as piores birras que se possa imaginar.
Hoje...
Comportamento EXEMPLAR.
O segredo? Quem o vai acordar é a mana. Se ele acorda com a pequenina deitada ao lado dele começa logo a desfazer-se em sorrisos e nem é capaz de começar aos gritos.
Acho que este bebé vai começar a ser cobaia para muita coisa...
Em resumo, tudo ordem aqui pela tribo. Reina a paz e a felicidade. Nos intervalos temos as birras do Henrique, mas vai-se levando. É preciso é calma.
Hoje...
Comportamento EXEMPLAR.
O segredo? Quem o vai acordar é a mana. Se ele acorda com a pequenina deitada ao lado dele começa logo a desfazer-se em sorrisos e nem é capaz de começar aos gritos.
Acho que este bebé vai começar a ser cobaia para muita coisa...
Em resumo, tudo ordem aqui pela tribo. Reina a paz e a felicidade. Nos intervalos temos as birras do Henrique, mas vai-se levando. É preciso é calma.
27.6.05
Ser irmão
Depois de três anos de reinado exclusivo, ver entrar uma criatura de 47 cm pela casa adentro, que ocupa 90% do tempo da mamã, dorme no quarto dos pais e faz toda a gente andar como galinhas tontas à volta dela, não deve ser fácil. É de certeza um choque e algo muito dificil de gerir para uma cabecinha tão novinha.
O Henrique está a reagir muito melhor do que todos esperávamos. Connosco as coisas têm vindo a ser graduais, começou por uma fase de rebeldia extrema que se destinava a chamar a atenção...e tem vindo a ficar cada vez mais calmo. Com a mana as coisas estiveram sempre bem, soube separar as coisas de uma forma admirável. Ele demonstra por ela um carinho que chega a ter contornos de paixão. Trata-a com toda a suavidade e desfaz-se em mel e sorrisos para ela. Passa o tempo a dar-lhe festinhas na cabeça e beijinhos. Já têm uma ligação especial visível. Quando ele fala ela vira a cabeça à procura dele. Basta ele aproximar-se e a Constança pára, atenta a todos os movimentos e todos os sons. É fantástico. Se ela chora, ele larga tudo o que está a fazer e corre para ver o que ela tem. Uma das frases que mais ouvimos nos ultimos dias é: "Ela é a minha mana. Nós somos irmãos.". Está radiante com a ideia.
Um episódio que me fez chorar de alegria...
A Constança estava com um babygrow amarelo comum coração na frente. O Henrique olhou para o coração e disse: "olha...ela tem aqui um coração...e ela está dentro do meu coração!".
Definição de irmão mais velho:
"Ela saiu da tua barriga mãe, mas eu saí pimeiro. Eu ganhei a corrida das barrigas!".
O Henrique está a reagir muito melhor do que todos esperávamos. Connosco as coisas têm vindo a ser graduais, começou por uma fase de rebeldia extrema que se destinava a chamar a atenção...e tem vindo a ficar cada vez mais calmo. Com a mana as coisas estiveram sempre bem, soube separar as coisas de uma forma admirável. Ele demonstra por ela um carinho que chega a ter contornos de paixão. Trata-a com toda a suavidade e desfaz-se em mel e sorrisos para ela. Passa o tempo a dar-lhe festinhas na cabeça e beijinhos. Já têm uma ligação especial visível. Quando ele fala ela vira a cabeça à procura dele. Basta ele aproximar-se e a Constança pára, atenta a todos os movimentos e todos os sons. É fantástico. Se ela chora, ele larga tudo o que está a fazer e corre para ver o que ela tem. Uma das frases que mais ouvimos nos ultimos dias é: "Ela é a minha mana. Nós somos irmãos.". Está radiante com a ideia.
Um episódio que me fez chorar de alegria...
A Constança estava com um babygrow amarelo comum coração na frente. O Henrique olhou para o coração e disse: "olha...ela tem aqui um coração...e ela está dentro do meu coração!".
Definição de irmão mais velho:
"Ela saiu da tua barriga mãe, mas eu saí pimeiro. Eu ganhei a corrida das barrigas!".
20.6.05
Miminho
Hoje de manhã, já tarde e más horas, preparadíssimos para sair de casa, mochila no ombro...pediu-me para não ir à escola. "Quero ficar em casa contigo a fazer pinturas". Ainda resisti um pouco, mas aquele olhar convenceu-me. Disse-lhe que então ficava comigo, mas só hoje. Abraçou-me e disse-me, "mãe eu quero ser o teu namorado" (complexo de édipo no auge, pois claro...).
Ficou tão feliz! E eu pensei...quem sabe não é uma premonição...se calhar sente que amanhã já não pode ficar comigo e que vamos ficar separados durante uns dias. Deixa-me cá aproveitar...
Ficou tão feliz! E eu pensei...quem sabe não é uma premonição...se calhar sente que amanhã já não pode ficar comigo e que vamos ficar separados durante uns dias. Deixa-me cá aproveitar...
Assusta-me
...pensar que às vezes és muito melhor filho do que eu sou mãe. Nem sempre as mães deviam ser humanas. É dificil conciliar os dois estados e não cometer erros. Bolas...com os filhos não se deve errar.
Dúvidas
- Mãe... tu já namoraste com o meu pai, não foi, há muitos tempos, quando eu estava na tua barriga...
- Como se namora?
- O que é noivo?
A tia vai-se casar. O namorado passou a noivo. O pai é meu marido e eu sou a sua mulher... Tantas definições complicadas...tantas mais perguntas para fazer. Que delícia de dúvidas. Como adoro dar-te as respostas!
- Como se namora?
- O que é noivo?
A tia vai-se casar. O namorado passou a noivo. O pai é meu marido e eu sou a sua mulher... Tantas definições complicadas...tantas mais perguntas para fazer. Que delícia de dúvidas. Como adoro dar-te as respostas!
14.6.05
As coisas da vida
O H. viu comigo uma parte do documentário - no Ventro Materno - do National Geographic Channel. Fez muitas perguntas e foi delicioso responder-lhe uma-a-uma a todas as dúvidas que foi colocando. Achei uma excelente oportunidade para ele perceber como é que a mana está a viver na minha barriga. Ficou espantado com o facto de o bebé estar dentro de água e estar despido. Mais complicada para ele foi a fase do nascimento. Fez todas as perguntas que lhe ocorreram e eu respondi-lhe exactamente e apenas ao que ele quis saber. E ele quis saber tudo, pois claro. Como saía, por onde, porquê (a esta não tive grande resposta para lhe dar...). Fez-lhe confusão perceber que a mamã do documentário estava a sofrer. Expliquei-lhe que nem sempre era assim, mas que podia doer um pouco, mas nada de especial...
Ficou a processar a informação. No dia seguinte de manhã foi ter comigo à cama e as primeiras coisas que me perguntou tiveram a ver com o nascimento dos bebés. Sendo que a coisa que mais o parecia estar a incomodar era a possibilidade de eu ter dores. Disse-lhe que não ficasse preocupado porque a doutora me ia dar um medicamento para eu não ter dores. A partir daí não fez mais perguntas. Parece ter ficado satisfeito e muito mais informado!
Ficou a processar a informação. No dia seguinte de manhã foi ter comigo à cama e as primeiras coisas que me perguntou tiveram a ver com o nascimento dos bebés. Sendo que a coisa que mais o parecia estar a incomodar era a possibilidade de eu ter dores. Disse-lhe que não ficasse preocupado porque a doutora me ia dar um medicamento para eu não ter dores. A partir daí não fez mais perguntas. Parece ter ficado satisfeito e muito mais informado!
8.6.05
Ansiedade
Hoje de manhã, estava a vestir-me, e ouvi os passinhos dele a sair do quarto. Em vez de se dirigir ao meu, como de costume, ouvi-o a abrir a porta do quarto da mana. Fiquei intrigada mas deixei-me ficar à espera. De seguida veio ter comigo. Com um ar bem acordado e bem disposto (raro por estes dias...) perguntou-me, ao mesmo tempo que olhava para a minha barriga e me levantava a camisa:
-"Mãe, a mana ainda não saiu?"
-Não, querido, porquê?
-"Poque queria vê-la...!"
- Sonhaste com a mana?
-"Sim..."
- E foste ver se ela estava no quartinho dela?
- "Sim"
- Está quase querido, já não falta muito...
A coisa compõe-se. :-)))))
-"Mãe, a mana ainda não saiu?"
-Não, querido, porquê?
-"Poque queria vê-la...!"
- Sonhaste com a mana?
-"Sim..."
- E foste ver se ela estava no quartinho dela?
- "Sim"
- Está quase querido, já não falta muito...
A coisa compõe-se. :-)))))
7.6.05
Mudanças
O H. percebeu, com a sua intuição prodigiosa, que falta muito pouco. Que agora sim, a sua vida vai levar uma enorme reviravolta. E está a manifestar todos os seus medos, dúvidas e angústias da forma como uma criança de três anos o sabe fazer. Tem sido tão difícil! Entrou em confronto comigo e está a testar-me e a pôr-me à prova. Comigo tudo é não. Recusa a fazer tudo o que eu lhe peço. Desde levantar-se, vestir-se, comer, lavar as mãos...tudo o que lhe digo tem como resposta um não, um "mãe feia", ou um simples virar de costas. A arrumação do quarto da mana ajudou à festa e ele, que até há pouco tempo, emprestava tudo o que era dele à mana, agora diz que é tudo dele.
Só de pensar que a mana ainda não nasceu e que o pior, na parte da atenção e da partilha da mãe, ainda está para vir... será que vou sobreviver mentalmente sã? Às vezes acho que não...
Estou a conseguir com muuuuita calma dar-lhe confiança, dando-lhe doses extra de atenção e de mimo. No entanto tenho que manter a firmeza e conseguir que ele faça as coisas que lhe mando, se não arrisco-me a perder o controlo. Já perdi a paciêcia duas ou três vezes e dei-lhe dois berros à séria, que com ele resultam ainda pior. Já tive uma ataque de choro à frente dele, o que o deixou com uma carinha meio confusa e baralhada. Acho que se ficou a sentir um pouco mal. Pelo menos parou com a teimosia. E eu sem saber muito bem o que lhe dizer...disse-lhe que estava a chorar porque ele não fazia nada do que eu lhe pedia, que eu já não sabia o que lhe dizer e que isso me deixava muito triste. Sei lá o que um psicólogo diria disto, mas eu sou apenas humana. Estava no limite dos meus nervos e das duas uma: ou lhe dava uma valente palmada ou deitava para fora de outra maneira. Optei pela segunda e, apesar de tudo, continuo a preferi-la. É difícil de gerir e ele não é uma criança muito fácil de convencer. É obstinado e teimoso até ao limite. Tem uma personalidade muito definida e parece saber sempre muito bem o que quer. Dar-lhe a volta passa por grandes exercícios de imaginação. Não é impossível, mas é doloroso e muito desgastante psicologicamente. E até mesmo fisicamente, porque os mimos incluem colos e afins, e eu estou um bocado grande para essas coisas.
Tenho um desafio pela frente. Ou melhor tenhjo vários. Vamos lá ver se me aguento sem me tornar uma mãe histérica e desiquilibrada. Acho que se ele tivesse menos um ano as coisas seriam mais fáceis.
Só de pensar que a mana ainda não nasceu e que o pior, na parte da atenção e da partilha da mãe, ainda está para vir... será que vou sobreviver mentalmente sã? Às vezes acho que não...
Estou a conseguir com muuuuita calma dar-lhe confiança, dando-lhe doses extra de atenção e de mimo. No entanto tenho que manter a firmeza e conseguir que ele faça as coisas que lhe mando, se não arrisco-me a perder o controlo. Já perdi a paciêcia duas ou três vezes e dei-lhe dois berros à séria, que com ele resultam ainda pior. Já tive uma ataque de choro à frente dele, o que o deixou com uma carinha meio confusa e baralhada. Acho que se ficou a sentir um pouco mal. Pelo menos parou com a teimosia. E eu sem saber muito bem o que lhe dizer...disse-lhe que estava a chorar porque ele não fazia nada do que eu lhe pedia, que eu já não sabia o que lhe dizer e que isso me deixava muito triste. Sei lá o que um psicólogo diria disto, mas eu sou apenas humana. Estava no limite dos meus nervos e das duas uma: ou lhe dava uma valente palmada ou deitava para fora de outra maneira. Optei pela segunda e, apesar de tudo, continuo a preferi-la. É difícil de gerir e ele não é uma criança muito fácil de convencer. É obstinado e teimoso até ao limite. Tem uma personalidade muito definida e parece saber sempre muito bem o que quer. Dar-lhe a volta passa por grandes exercícios de imaginação. Não é impossível, mas é doloroso e muito desgastante psicologicamente. E até mesmo fisicamente, porque os mimos incluem colos e afins, e eu estou um bocado grande para essas coisas.
Tenho um desafio pela frente. Ou melhor tenhjo vários. Vamos lá ver se me aguento sem me tornar uma mãe histérica e desiquilibrada. Acho que se ele tivesse menos um ano as coisas seriam mais fáceis.
3.6.05
4 horas e meia...
...foi o tempo que estive no Centro de Saúde para me passarem o papel da baixa. Entre as 7:30 e as 12:00. Não me queixo do atendimento e das pessoas. Amáveis, disponíveis, simpáticas e humanas. Queixo-me do sistema. Como não tenho médico de família sou deixada para as vagas de consulta que sobram do dia. Como ainda por cima não sou seguida no Centro de Saúde nas consultas de saúde materna (Deus me livre!) o facto de estar grávida de oito meses também não me confere qualquer espécie de prioridade. Eu só uso o SNS quando não posso prescindir dele, como é o caso, mas sou castigada por isso.
Em quatro horas e meia, para além de fazer muito ponto-de-cruz, ouvi histórias. Várias histórias. As pessoas mais tristes que podem existir são as que fazem depender toda a sua existência de um rol de doenças e desgraças mais ou menos reais, mais ou menos imaginárias.
A senhora que mais me impressionou queixava-se de se sentir a morrer durante a noite, com "um aperto no peito que eu sei lá, parecia que o coração se ia sumindo assim devagarinho...e não preguei olho toda a noite e depois a gente põe-se a pensar nos filhos e no que será deles se nós morrermos...até fui telefonar para o 112 para me darem uma opinião"... Acabei por perceber que tinha três filhos, o mais novo com seis anos. Pela atitude e pelo aspecto eu diria que era avó de crianças de seis anos, e não mãe. À segunda vista, olhando com atenção, era de facto relativamente nova, teria uns 43 anos. E uma enorme depressão que a própria parecia desconhecer. A tensão arterial estava óptima pelo que o coração não deve ter estado a parar durante a noite. Queria por força ser atendida mas disseram-lhe para voltar à tarde para as urgências. Lá foi...com um ar combalido e triste. Aquele que deve carregar todos os dias da sua vida.
Em quatro horas e meia, para além de fazer muito ponto-de-cruz, ouvi histórias. Várias histórias. As pessoas mais tristes que podem existir são as que fazem depender toda a sua existência de um rol de doenças e desgraças mais ou menos reais, mais ou menos imaginárias.
A senhora que mais me impressionou queixava-se de se sentir a morrer durante a noite, com "um aperto no peito que eu sei lá, parecia que o coração se ia sumindo assim devagarinho...e não preguei olho toda a noite e depois a gente põe-se a pensar nos filhos e no que será deles se nós morrermos...até fui telefonar para o 112 para me darem uma opinião"... Acabei por perceber que tinha três filhos, o mais novo com seis anos. Pela atitude e pelo aspecto eu diria que era avó de crianças de seis anos, e não mãe. À segunda vista, olhando com atenção, era de facto relativamente nova, teria uns 43 anos. E uma enorme depressão que a própria parecia desconhecer. A tensão arterial estava óptima pelo que o coração não deve ter estado a parar durante a noite. Queria por força ser atendida mas disseram-lhe para voltar à tarde para as urgências. Lá foi...com um ar combalido e triste. Aquele que deve carregar todos os dias da sua vida.
2.6.05
Um grande 31
Foi o que completei ontem. 31 anos. E claro, agora a depressãozinha já foi menor. A do ano passado atacou-me mais forte. E então há lá melhor coisa que passar o dia dos 31 anos com um barrigão enorme como o meu? E para melhorar a coisa ainda mais receber como presente um dia explendoroso de sol? Pois é...tenho motivos por estar contente com os 31.
Sou sempre criança no dia da criança. Habituei-me a ver este dia como um dia meu, que foi escolhido especialmente por ser o dia em que nasci. Agora é ainda mais fantástico porque além de receber os meus presentes, assisto à alegria do filhote a receber as lembrancinhas que também lhe dão a ele. É óptimo.
Sou sempre criança no dia da criança. Habituei-me a ver este dia como um dia meu, que foi escolhido especialmente por ser o dia em que nasci. Agora é ainda mais fantástico porque além de receber os meus presentes, assisto à alegria do filhote a receber as lembrancinhas que também lhe dão a ele. É óptimo.