29.12.04
Ai a minha cabeça...
De regresso a casa, no carro, a conversa habitual:
- Então, H, como foi o teu dia?
- Foi muito bom, guitei muito!
Pois. A educadora disse-me que ele e mais dois meninos da sala, passaram o dia a correr de um lado para o outro aos guinchos! Parece que agora estão com essa mania e imitam-se uns aos outros... E ela diz-me aquilo a rir! Como conseguem aguentar? Eu daria em louca em menos de meia hora...
- Então, H, como foi o teu dia?
- Foi muito bom, guitei muito!
Pois. A educadora disse-me que ele e mais dois meninos da sala, passaram o dia a correr de um lado para o outro aos guinchos! Parece que agora estão com essa mania e imitam-se uns aos outros... E ela diz-me aquilo a rir! Como conseguem aguentar? Eu daria em louca em menos de meia hora...
27.12.04
Medo do Pai Natal
O H. tem medo de tudo o que é gente mascarada. Foi duas vezes ver, ou melhor ouvir, a peça "A Quinta da Lua Cheia"... e teve medo dos animais. Ficou todo o tempo ao colo, de cara escondida, a primeira vez com a educadora e a segunda vez com o pai. Sabe a história toda e cantarola ainda hoje algumas das músicas, mas ver aqueles bichos mascarados nem pensar. No circo, adorou tudo. Ficou encantado com os animais, das araras aos elefantes. Os trapezistas e malabaristas plantaram-lhe na cara aquela expressão típica de "menino no circo", olhos arregalados e boca semi-aberta de espanto. Quando anunciaram os palhaços as criancinhas histéricas e ele a trepar pelo nosso colo acima com medo.
Agora foi o Pai Natal. Disse-nos vezes sem conta, no dia 24, que não queria ver o Pai Natal. Estava cheio de medo com a simples possibilidade de ele lhe aparecer à frente para entregar os presentes. Lá o descansámos, assegurando-lhe que a personagem não se deixa ver...
Obigada Pai Natal!
Passada a maior euforia e confusão das véspera e dia de Natal, já sózinho connosco em casa e depois de apreciar encantado todos os brinquedos novos o H. lembrou-se...
- Eu não disse obigado ao Pai Natal!
- Não? Então...mas podes dizer, ele foi muito simpático contigo.
- Mas ele não me ouve...
- Ouve sim...viste como ele soube que tu querias uma bicicleta? Ele ouve-te, podes falar com ele...
- PAI NATAL! OBIGADO!
O verdadeiro Espírito de Natal
Ontem à noite...enquanto montávamos uns legos novos no quarto dele, o H. olhou em volta e disse com um ar ternurento:
- O Pai Natal é muito fofinho!
Vieram-me as lágrimas aos olhos com a expressão de ternura e de agradecimento que ele demonstrou. Acho fantástica a forma como agradece sempre que recebe alguma coisa. Fica genuinamente feliz e agradecido. Que bom saber dar valor ao que tem. Era fácil que não acontecesse uma vez que tem tanto! Este Natal quando vi a montanha de embrulhos dele até me assustei. Pensei que aquilo era demais. Que não devia ser assim. Que às tantas para ele o Natal vai ser só uma época meramente materialista e que em pouco tempo as coisas vão deixar de ter valor para ele. Mas felizmente não é isso que leio nos seus olhos e nas suas atitudes. E não é essa a mensagem que lhe tento passar. Espero conseguir manter sempre este equilíbrio entre o que realmente importa e o que é também agradável e o faz feliz! Espero que ele descubra por ele o verdadeiro sentido do Natal. Eu e o pai também tivémos sempre Natais cheios de presentes e ambos sabemos, hoje, onde reside o segredo de um Natal Feliz. E não vem embrulhado em papel colorido. Para nós chegou como uma lufada de ar fresco pela porta da nossa casa, no dia 24 à tarde, nos sorrisos de cada uma das pessoas que entravam, carregadas de pratos de doces e de amor para partilhar.
Agora foi o Pai Natal. Disse-nos vezes sem conta, no dia 24, que não queria ver o Pai Natal. Estava cheio de medo com a simples possibilidade de ele lhe aparecer à frente para entregar os presentes. Lá o descansámos, assegurando-lhe que a personagem não se deixa ver...
Obigada Pai Natal!
Passada a maior euforia e confusão das véspera e dia de Natal, já sózinho connosco em casa e depois de apreciar encantado todos os brinquedos novos o H. lembrou-se...
- Eu não disse obigado ao Pai Natal!
- Não? Então...mas podes dizer, ele foi muito simpático contigo.
- Mas ele não me ouve...
- Ouve sim...viste como ele soube que tu querias uma bicicleta? Ele ouve-te, podes falar com ele...
- PAI NATAL! OBIGADO!
O verdadeiro Espírito de Natal
Ontem à noite...enquanto montávamos uns legos novos no quarto dele, o H. olhou em volta e disse com um ar ternurento:
- O Pai Natal é muito fofinho!
Vieram-me as lágrimas aos olhos com a expressão de ternura e de agradecimento que ele demonstrou. Acho fantástica a forma como agradece sempre que recebe alguma coisa. Fica genuinamente feliz e agradecido. Que bom saber dar valor ao que tem. Era fácil que não acontecesse uma vez que tem tanto! Este Natal quando vi a montanha de embrulhos dele até me assustei. Pensei que aquilo era demais. Que não devia ser assim. Que às tantas para ele o Natal vai ser só uma época meramente materialista e que em pouco tempo as coisas vão deixar de ter valor para ele. Mas felizmente não é isso que leio nos seus olhos e nas suas atitudes. E não é essa a mensagem que lhe tento passar. Espero conseguir manter sempre este equilíbrio entre o que realmente importa e o que é também agradável e o faz feliz! Espero que ele descubra por ele o verdadeiro sentido do Natal. Eu e o pai também tivémos sempre Natais cheios de presentes e ambos sabemos, hoje, onde reside o segredo de um Natal Feliz. E não vem embrulhado em papel colorido. Para nós chegou como uma lufada de ar fresco pela porta da nossa casa, no dia 24 à tarde, nos sorrisos de cada uma das pessoas que entravam, carregadas de pratos de doces e de amor para partilhar.
22.12.04
O mais velho
Conversa para a minha barriga:
- Olá bebé...sou eu, o Henrique, o teu mano...eu sou mais velho...
Explodimos numa gargalhada. É que o comentário de inocente não tinha nada. Era mais um aviso à navegação. Vai ser tão mandãozinho com o irmão! Pobrezito do mais pequenino já o estou a ver a dar ordens tipo general, tal como faz com os coleguinhas na escola, com a priminha e como tenta fazer connosco.
- Olá bebé...sou eu, o Henrique, o teu mano...eu sou mais velho...
Explodimos numa gargalhada. É que o comentário de inocente não tinha nada. Era mais um aviso à navegação. Vai ser tão mandãozinho com o irmão! Pobrezito do mais pequenino já o estou a ver a dar ordens tipo general, tal como faz com os coleguinhas na escola, com a priminha e como tenta fazer connosco.
14.12.04
Ontem o jantar foi tão agradável. Aparentemente igual a tantos outros, mas diferente na sua essência. Penso que todos sentimos verdadeiramente o esforço notável que fez aquele senhor, na sua já tão avançada idade (nem sei quantos...), para comemorar mais um aniversário. Desta vez sem bolo e sem velas, pois a sua luz mais preciosa apagou-se e levou consigo uma parte da sua alma. Mas a vontade de avançar, de continuar a viver, de não baixar os braços é de louvar. Gostava saber ter a coragem de enfrentar a vida de frente dessa maneira.
As brincadeiras com a minha sobrinha princesa M. foram a segunda parte muito agradável do jantar. Como me soube bem aquele bocadinho com ela ao colo! Está naquela fase maravilhosa dos 10 meses em que começa a balbuciar as primeiras palavras e já se põe em pé sozinha. Está muito mexida e acho que não vai ser propriamente um anjinho, embora há uns meses atrás fosse muito mais calma, está a começar a mudar e a mostrar a sua personalidade. Muito risonha, simpática, observadora e ponderada. Mas nada de pasmaceiras para aquele lado...activa, aventureira e exploradora.
Descobri que tenho mesmo saudades de um bebé pequenino, embora ache que esta fase do H. é deliciosa pela interactividade e empatia que se estabelece entre nós. Ontem todos os meus instintos maternais vieram à flor da pele e quase escorria baba da minha boca enquanto brincava com a M.
Só mais uma nota para terminar. Já no carro, de regresso a casa, o H. diz-nos com uma voz espantada: Não cantámos os Parabéns! Os nossos olhos cruzaram-se de imediato num pedido de socorro mútuo. Como explicar-lhe que fomos aos anos do bisavô e que não houve parabéns, nem bolo, nem velas? Dissemos-lhe que o vovô já está muito velhote e que por isso já não quer bolo nem parabéns e que só quer estar connosco. Claro que não percebeu. E nós mudámos de assunto. Contemplámos as inúmeras decorações de natal que enfeitam a maior parte das casas por onde passamos. Cá dentro ficámos os dois com uma pequenina sensação de vazio.
As brincadeiras com a minha sobrinha princesa M. foram a segunda parte muito agradável do jantar. Como me soube bem aquele bocadinho com ela ao colo! Está naquela fase maravilhosa dos 10 meses em que começa a balbuciar as primeiras palavras e já se põe em pé sozinha. Está muito mexida e acho que não vai ser propriamente um anjinho, embora há uns meses atrás fosse muito mais calma, está a começar a mudar e a mostrar a sua personalidade. Muito risonha, simpática, observadora e ponderada. Mas nada de pasmaceiras para aquele lado...activa, aventureira e exploradora.
Descobri que tenho mesmo saudades de um bebé pequenino, embora ache que esta fase do H. é deliciosa pela interactividade e empatia que se estabelece entre nós. Ontem todos os meus instintos maternais vieram à flor da pele e quase escorria baba da minha boca enquanto brincava com a M.
Só mais uma nota para terminar. Já no carro, de regresso a casa, o H. diz-nos com uma voz espantada: Não cantámos os Parabéns! Os nossos olhos cruzaram-se de imediato num pedido de socorro mútuo. Como explicar-lhe que fomos aos anos do bisavô e que não houve parabéns, nem bolo, nem velas? Dissemos-lhe que o vovô já está muito velhote e que por isso já não quer bolo nem parabéns e que só quer estar connosco. Claro que não percebeu. E nós mudámos de assunto. Contemplámos as inúmeras decorações de natal que enfeitam a maior parte das casas por onde passamos. Cá dentro ficámos os dois com uma pequenina sensação de vazio.
9.12.04
Feitiozinho...
A nossa noção de tempo é obviamente muito diferente da deles. A nossa noção de pressa então deve ser incompreensível!
De manhã, sempre mais do que atrasada, tento não stressar...mas às vezes tenho mesmo que pôr fim àquelas cenas infindáveis de "toca e foge".
- Ó H., por favor filho, tens que vestir o casaco, a mamã está atrasada...olha que o chefe da mamã vai ralhar comigo!
- Vai... (olhos esbugalhados...) Como se chama o teu chefe?
- Olha...tu podes não acreditar, mas também se chama H., como tu...
- Ah, ééééé? Oia, sabis uma coisa, eu também sou chefe...
- És? Chefe de quê?
- Do combóio dos mininos...
- E o combóio vai para onde?
- Para a papa...
Óbvio. É sempre o chefe do combóio que leva os meninos para o refeitório. O temperamento de líder já se revela, nesta idade, é impressionante. Vai ser daqueles, tal e qual a minha mana também ela carneiro de signo, que todos os anos é delegada de turma e acha que tem a missão de defender os "pobres e oprimidos". Como disse uma vez aos meus pais uma directora de turma "tem espiríto de delegada sindical". Acho que o meu filho vai ser assim. E eu sempre agradeci que nem reparassem que eu existia... Realmente a personalidade vai muito para além da educação, nasce connosco.
De manhã, sempre mais do que atrasada, tento não stressar...mas às vezes tenho mesmo que pôr fim àquelas cenas infindáveis de "toca e foge".
- Ó H., por favor filho, tens que vestir o casaco, a mamã está atrasada...olha que o chefe da mamã vai ralhar comigo!
- Vai... (olhos esbugalhados...) Como se chama o teu chefe?
- Olha...tu podes não acreditar, mas também se chama H., como tu...
- Ah, ééééé? Oia, sabis uma coisa, eu também sou chefe...
- És? Chefe de quê?
- Do combóio dos mininos...
- E o combóio vai para onde?
- Para a papa...
Óbvio. É sempre o chefe do combóio que leva os meninos para o refeitório. O temperamento de líder já se revela, nesta idade, é impressionante. Vai ser daqueles, tal e qual a minha mana também ela carneiro de signo, que todos os anos é delegada de turma e acha que tem a missão de defender os "pobres e oprimidos". Como disse uma vez aos meus pais uma directora de turma "tem espiríto de delegada sindical". Acho que o meu filho vai ser assim. E eu sempre agradeci que nem reparassem que eu existia... Realmente a personalidade vai muito para além da educação, nasce connosco.
Que bem, mas que bem, que me soube a laranja maravilhosa, doce e sumarenta com que terminei o meu almoço!
7.12.04
Saudade
Tenho frequentemente a meio do dia ataques de saudades do H., fico com uma vontade quase irresistível de me levantar desta cadeira e ir ter com ele. Nestas alturas, e noutras, equaciono tantas vezes se não estarei a perder demasiado tempo. Fará sentido passar tão pouco tempo com o meu filho? Fará sentido que ele passe mais tempo com as educadoras do colégio do que com a mãe? Há alturas, como esta, em que tenho a certeza que não faz sentido nenhum. E quando penso que o mesmo se vai passar daqui a um ano com o segundo bebé...que vou ter que passar novamente por aquela angústia da separação, que vou ter que o entregar também a ele nas mãos de uma estranha. Que vou sujeitá-lo aos cinco meses ao contágio com tudo o que é virus como fiz com o H. Quando penso nissso dá-me vontade de chorar. E sei que me faltam forças para tomar uma decisão radical. E sei que o risco é demasiado elevado e podia sair-nos a todos muito caro. E sei que há decisões difíceis que têm que ser tomadas. E sei que é agora ou nunca. E sei que o tempo não volta atrás. E sei que nada sei.
2.12.04
Olhos Raio X
O H. está a perceber que a minha barriga está a crescer. Até ele vê! E assim que me apanha sentada no sofá começa a puxar-me as camisolar para "espeitar". Olha atentamente para dentro do umbigo... no outro dia exclamou:
- vi o mano!
- A sério? viste?
- Vi um bocadinho do mano, vi um bocadinho da mão dele...
E eu bem tentei explicar que não era possível, mas insistiu tanto que acabei por desistir. Se ele diz que viu...também há crianças que garantem ter visto o Pai Natal. Conheço uma senhora da idade da minha mãe, que ainda hoje afirma que se lembra de ter visto com seis anos as botinhas do Pai Natal, encarnadas com fitinhas e tudo, a fugirem pela chaminé acima.
- vi o mano!
- A sério? viste?
- Vi um bocadinho do mano, vi um bocadinho da mão dele...
E eu bem tentei explicar que não era possível, mas insistiu tanto que acabei por desistir. Se ele diz que viu...também há crianças que garantem ter visto o Pai Natal. Conheço uma senhora da idade da minha mãe, que ainda hoje afirma que se lembra de ter visto com seis anos as botinhas do Pai Natal, encarnadas com fitinhas e tudo, a fugirem pela chaminé acima.
Árvore de Natal
Fizémos ontem a árvore de Natal. Foi um delírio. O H. estava totalmente entusiasmado, parecia uma barata tonta a correr de um lado para o outro e a querer ver tudo o que íamos tirando dos caixotes. Simplesmente encantador. Decorou a árvore juntamente connosco, não tentou pôr tudo sózinho, pedia para o ajudar a escolher o sítio de cada bola, de cada sino, de cada boneco. Percebeu que os seus bracitos só alcançavam até meia árvore e aceitou perfeitamente que fossemos nós a colocar tudo na parte de cima. "Eu ainda xou pequenino...", não paráva de dizer. E cantou a música da "estelinha"...
Brilha, brilha lá no céu,
A estrelinha que apareceu...
E não canta mais nada...eu não sei a letra, por isso, ficámo-nos por aqui. Alguém sabe a letra?
Brilha, brilha lá no céu,
A estrelinha que apareceu...
E não canta mais nada...eu não sei a letra, por isso, ficámo-nos por aqui. Alguém sabe a letra?